É o seguinte... tá bem?

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Segunda-feira, Março 19, 2012

A fauna facebookeana

Tem de tudo no facebook. Todos os tipos que se encontram por aí pelo mundo estão presentes no facebook. Seguem-se alguns tipos que consegui identificar, certamente um ou mais deles estão presentes na sua lista também!

- o que posta o dia todo. Sobre qualquer assunto, é praticamente uma compulsão. E ainda tem tempo e energia para responder a todos os comentários no minuto seguinte.
- o raivoso, que alfineta ou ataca tudo e todos. Sai escoiceando pra todo lado, destilando sua revolta com o mundo. Na maior parte das vezes, o alvo das alfinetadas nem nota que é o assunto é com ele e a pessoa fica lá, fazendo papel ridículo.
- o didático. Parece a professora do primário: ensina a usar a nova linha do tempo, incentivando seus "alunos" a não temer mudanças; ensina como não pegar virus; ensina a bloquear, ensina tudo!
- o bem-humorado: alguns perfis são um show de bom humor. A pessoa é espirituosa e sabe usar essa característica da personalidade no facebook, mesmo quando comenta coisas sérias, porque ser espirituoso não é sinônimo de fazer palhaçada;
- o curtindo a vida adoidado. É tanto post ou foto de balada, de festa, de grupo de amigos comemorando, de viagem pra praia, pra rua, pra chuva, pra fazenda, pra casinha de sapê, que você fica se perguntando em que momento da vida a criatura trabalha pra manter tudo isso.
- o que alega falta de privacidade. Oi? você se cadastrou em uma rede social pra que mesmo?
- o que usa como telefone. Fulano, me liga. Sicrano, passa lá em casa hoje. Beltrano, a mamãe vai se atrasar hoje, deixei o jantar no microondas.
- o dramático. Volta e meia ameaça apagar o perfil e "desistir de tudo isso aqui". Só pra todo mundo ficar "o que foi?" "o que aconteceu?" "não se vá, não me abandone por favor". Nunca apaga.
- o que nunca entra. Quando entra, posta umas fotos, responde alguns posts em seu mural, mas não dá pra imaginar qual é a graça de fazer parte de uma rede social e não socializar.
- o agência de publicidade. Vive dando dicas de locais, restaurantes, lojas, como se fosse um baita formador de opinião e o local fosse bombar depois disso.
- o legítimo representante da moral e dos bons costumes. Só ele é correto, só ele atravessa na faixa, só ele socorre velhinhas, só ele não joga papel na rua, só ele é íntegro, só ele lê livros, só ele gosta de boa música.
- o internacional. Mora no Brasil, a maioria dos amigos é daqui, mas insiste em postar em inglês. Duro é quando posta em inglês e errado.

Lembrou de mais algum? Comenta que eu faço o update aqui!

Do Pablyto Robert:
Tem também o tipo revolucionário - qualquer movimento grevista já está ele lá manifestando apoio e repudiando as ações da Polícia contra os excessos dos grevistas, achando ser super natural que fechem todas as ruas e coloquem fogo em ônibus, por estarem reclamando "algo justo", como o aumento de R$ 0,05 na passagem.

Da Renata Cintra
mas sem dúvida o que mais me irrita é o que muda de status de relacionamento como quem muda de roupa... é tanto casa, separa, namora sério, nem tanto, divorcia, que não consigo acompanhar.... rs

Da MH
Tem os que só postam fotos piegas com frases "edificantes", o tempo todo.
Tem os que amam Jesus e repetem isso mil vezes pra todo mundo ouvir.
E tem os catastrofistas que adoram postar fotos de animais maltratados, crianças abusadas, acidentes...

E tem os que a gente lê e sorri, só por sentir que participou um pouquinho que seja do dia de uma pessoa querida!

Quinta-feira, Março 15, 2012

E se houver alguma coisa capaz de impedir este casamento...

Olha, a frase do título deste post jamais poderia ser dita nos casamentos da minha mãe e dos meus tios. Todo casamento tem história pra contar, claro, casamento que dá tudo certo na cerimônia e na festa até perde a graça. Mas os casamentos na roça da minha família são um espetáculo à parte.

Pra começar, o cenário era sempre o mesmo: Igreja Matriz de João Neiva, com festa na casa da roça. Churrasco, claro, porque imagina que lá tem buffet? Era sempre um tal de tem de matar dois bois, 4 porcos, nao sei quantas galinhas, fora a função na cozinha o dia todo para preparar tudo, um tal de homem chegando com as bebidas, e não sei como gelavam tudo se durante muito tempo lá nao tinha luz elétrica, a mulherada toda de rolinho ou de touca no cabelo, porque salão de beleza também não tinha, nem secador e chapinha não havia sido inventada, a criançada tendo de tomar banho na bica - uma minicachoeirinha ao lado do chiqueiro - antes das 16h, porque depois era o horário das cobras, e tendo de permanecer limpa até a hora de colocar a roupa, isso em pleno sítio. Depois, vai de carro até a cidade, chacoalhando na então estrada de terra empoeirada, sem poder abrir os vidros para não emporcalhar os cabelos e as roupas, e claro que ar condicionado em carro era coisa que ainda não tinha chegado lá. Meu tio João tinha uma Kombi. Pensa. Realizou?

E mesmo com tudo isso, o povo enfrentava e casava. Mais: casava no verão. Minha mãe casou-se em junho, minha tia Ida eu não me lembro em que mês se casou, porque eu era muito pequena, mas meu tio João e minha tia Madalena se casaram em dezembro e fevereiro, respectivamente - se não me falha a memória, minha tia quis se casar no dia do aniversário do meu falecido avô, para homenageá-lo. Meu tio Abel foi mais esperto e casou na igreja do Colégio Salesiano de Vitória, chique não?

Eu entendo você escolher se casar no verão se mora na Alemanha, porque depois é um frio desgraçado, neve, não fica nem chique a noiva com galocha e casacão. Mas em João Neiva, meu povo? Calor de 40 graus, umidade do ar nos píncaros, chove torrencialmente e os borrachudos a todo vapor. Cerimônia na igreja, precedida de toda a descrição da arrumação acima. A favor devo ressaltar que ninguém teve a ideia brilhante de se casar na igreja de Santo Antonio de Demétrio Ribeiro, porque senão, a tudo isso, somaria-se a subida da escadaria da igreja a pé. Tenho pra mim que na minha família casar na roça é em João Neiva, e morrer é em Demétrio, porque todos os velórios e enterros são lá.

Cenário descrito, já deu pra imaginar que quando dava tudo certo era against all odds, porque tinha todos os ingredientes para dar errado dez vezes.

Vamos começar pela minha mãe, a primogênita e a pioneira. Chovia horrores quando ela se casou. Muito. E em João Neiva, quando chove, alaga, uma maravilha. Chovia tanto que o fotógrafo nem apareceu, que ele não era besta, e minha mãe só teve fotos vestida de noiva porque carregou o vestido para a lua-de-mel, meu pai levou o terno, e lá tiraram umas fotos de estúdio, com minha mãe transbordando de bom humor porque afinal de contas as fotos eram fake.

Minha tia Ida escolheu minha irmã Rosana, com 4 anos, para ser a daminha de honra. Opção ela não tinha, porque depois dela, só tinha eu, com uns 3 anos ou um pouco menos, dependendo do mês em que ela se casou, e eu não era uma criança confiável para a empreitada. Acontece que minha irmã era um pequeno purgante, justificado pelo fato de ter problemas nas amigdalas - já repararam que toda criança chata a família justifica dizendo que ela é doentinha? pra gente ficar com dó e diminuir a vontade de dar um tabefe - e na hora de ir pra igreja ela disse que não ia mais. Abriu o berreiro, deu show, piti, e toca o horror na casa da roça, além do horror natural já descrito no segundo parágrafo desse post, como assim a daminha desistiu? O noivo ficou tão nervoso que deu um tapa na minha irmã e ela, que chupava uma bala soft, engoliu a bala inteira com o safanão.

Corre chamar a Adriana Bolis, do sitio vizinho, da mesma idade e tamanho, para ser a daminha estepe. Corre mesmo, pasto afora, porque se não havia luz elétrica, que dirá telefone.

Casamento do meu tio João e eis que minha tia Ida, a noiva abandonada pela daminha às portas do altar, estava grávida da minha prima, um barrigão imenso, ela praticamente explodindo, eu e minha irmã apostando se ela ia conseguir ser madrinha ou não. Neste caso, já havia casal de padrinhos estepe escalado, just in case.

Casamento da minha tia Mada. Gente saindo pela janela de casa, tinha TANTA gente naquela casa pra se arrumar, agora já com luz elétrica, mas ainda sem secador de cabelos porque a capacidade de fornecimento de energia elétrica não se permitia nem ter um chuveiro elétrico. O que quer dizer que a criançada continuava tomando banho na bica - todo mundo, aliás - e continuava tendo de ficar impecável até a hora de ir pra igreja, o que era sempre uma correria, porque que mãe tinha coragem de arrumar o filho não fosse em cima da hora de sair? Na hora em que se dizia: vamos pra igreja era aquela correria de mãe, tia, cunhada correndo pra tirar a roupa das crianças, vestir correndo o traje do casamento, pentear os cabelos, calçar os sapatos. Cansei só de escrever.

E aí, na hora do VAMOS PRA IGREJA, minha prima Kássia ia ser a daminha que levaria as alianças, de vestido azul, enquanto as outras duas - minhas primas Lyris e Nummila, acho eu - iam de cor-de-rosa, e eu e minha irmã, já com 12 ou 13 anos, promovidas a madrinhas, no altar, uma coisa importantíssima!, vamos pegar a cestinha de prata para levar as alianças e...

CADÊ A CESTINHA?

Toca o mafuá de procurar a tal cestinha em tudo quanto era canto, até minha tia se lembrar de que tinha largado a cestinha em Vitória. E agora, meu Deus? Porque tudo já era tão tumultuado sem que a cestinha fosse esquecida! Levar as alianças como, de que jeito, a Kassia ia perder, praticamente formou-se ali um conselho de Estado para solucionar a falta da cestinha.

Foi então que minha tia Ida, a artista da família, teve a ideia de recortar um papelão, pegar um pedaço do cetim do vestido da daminha - atelier não existia, vestido de daminha era feito em casa, pelas tias - forrar o papelão usando somente cola e prendendo as pontas com linha e fio, fez uma almofadinha para o fundo da cestinha usando algodão e cetim. Pegou minha caixa de fitas de cabelo - eu tinha um monte, de todas as cores - catou todos os tons de azul que fizessem um tom sobre tom com o cetim do vestido, e eis que em alguns minutos surgia uma linda cestinha que dava de dez na original.


Agora, esperamos que se case o último da dinastia, nosso tio Joaquim. E torcemos lá no fundo que ele escolha uma noiva da roça, se case na Igreja Matriz de João Neiva e faça a festa na casa da roça.

Mas, tio, por favor, pode ser em julho?


update: esqueci de contar que no casamento do meu tio Abel, que foi em Vitória porque ele não é besta nem nada, um amigo dele promoveu uma grande QUEIMA DE FOGOS quando os noivos saíram da igreja. Parecia reveillon!

retratação: não foi o noivo o vilão da história acima, que quase vitimou a daminha. Foi o noivo quem deu a bala pra daminha, e foi a mãe da daminha a autora do tapa quase fatal.

Segunda-feira, Março 05, 2012

Como ser Penélope em 7 rápidas lições

(atendendo a pedidos e devido à minha total preguiça em escrever um post novo, reedito aqui os posts do curso de Penélope - escritos em homenagem a uma amiga que até já se diplomou)

Você tá lá, papo vai, papo vem, como um moço interessante, com profissão interessante, jeito interessante, tudo interessante.

E ele propõe: vamos almoçar na semana que vem para nos conhecermos?

Você fica toda animada, mas ao mesmo tempo apreensiva, achando mil coisas e já pondo areia no encontro antes mesmo dele acontecer. Ah!, a mente feminina! A capacidade de sabotagem da mente de uma mulher é muito maior do que a de qualquer espião russo, na época em que ser espião russo era muita coisa.

E seus amigos te dizem: faz favor de ser um pouquinho mais Penélope!

Para todas que, como você, não exercem seu lado Penélope e acham um absurdo o cara ir buscar o carro sozinho do outro lado da rua, chovendo, enquanto você fica debaixo da marquise esperando, para não molhar o cabelo (e para uma Penélope ele não está fazendo mais que a obrigação e jamais passaria pela cabeça dela sair correndo na chuva atrás dele), segue um curso básico de dicas para deixar o lado Penélope aflorar.

1. Ele te chamou para almoçar? Nada de propor o restaurante. Diga que não tem a menor noção de onde poderiam ir, e já emende: o que você sugere? Só seja você a sugerir o local se ele for de outro país (deixá-lo sugerir o local é fundamental para o bom andamento do curso). Pensando bem, só se for de outro planeta, e assim mesmo, se a nave tiver pousado naquele dia de manhãzinha, porque senão já era mais que hora dele saber onde te levar para almoçar. Afinal, ele quer te causar uma boa impressão, né?

2. Definido o restaurante, você pergunta: a que horas nos encontramos? NÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!! Repito: NÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!! A pergunta de uma Penélope é: a que horas você vem me buscar? Já dê o endereço. Porque se o moço for um gentleman, ele vai te buscar em casa ou no trabalho, nem que você seja lá de Itaquaquecetuba. Afinal, se ele não tá disposto a fazer isso no primeiro encontro, imagine depois...

3. Figurino: vestidinho. Sainha e blusa. Bem de menina. Ok, você tá no trabalho, vai sair para almoçar, não dá pra ir de vestido frente única vermelho (a menos que você queira ser o assunto do café, mas isso não faz parte de ser Penélope, aí a gente já tem de mudar de personagem e não cabe nesse post). Mas dá para colocar um tubinho básico, preto, com um sapatinho de salto alto, algo que te deixe chique, linda e condizente com os itens 1 e 2 e apta a encarar o chefe durante o dia. Ah! Nada de ir com aquela bolselona que você carrega pro trabalho todos os dias. Leve uma bolsa pequena para o almoço, apenas com o fundamental (batom e identidade).

4. Cabelo: solto. Ainda mais se você tiver um cabelão. Nada de rabinho, coque, meio rabo (só se você estiver grávida, e aí também não tem nada que estar lendo este post, pegue a Pais e Filhos e vá procurar sua turma que o assunto aqui é sério). A importância de ir com o cabelo solto você verá mais para o final.

5. Almoço transcorrendo na maior paz, tudo indo super bem, você pediu um suquinho, ou um refrizinho, porque uma Penélope jamais pede uma caipiroska no copo longo na hora do almoço num primeiro encontro (nem no segundo, nem no terceiro...). E se for uma aprendiz de Penélope, como você, nem pode, porque tem de estar de posse das faculdades mentais para o passo a seguir, este sim fundamental e que, se superado, fará de você uma legítima pertencente da classe das Penélopes.

6. Cafezinho e... eis que chega a conta. E aí você entende porque os passos acima devem ser seguidos:
- já que foi ele quem escolheu o restaurante, você não tem responsabilidade nenhuma sobre a conta. E se ainda por cima ele pegar a carta de vinhos e sugerir o vinho lébous tlébous safra 19ewébous, aí mesmo é que você pode esquecer que alguém vai cobrar aquele almoço em algum momento.
- você está de vestidinho e bolsinha mínima, apenas com batom e identidade, certo? Então, nem dá pra dividir.
- cabelo solto e você ali, distraída, olhar perdido, enrolando ou alisando um cachinho. Não importa. Importa é que uma Penélope envolve-se tão profundamente nessa atividade que NEM NOTA que foi colocada na mesa aquela cadernetinha de couro fechadinha ao lado do seu par.

7. Plano B: caso você não tenha seguido os passos dos itens 1, 2, 3, 4 e 5, ainda assim nem tudo está perdido! Sua chance de ser Penélope está salva!
- na chegada da cadernetinha de couro fechadinha, concentre-se. Torça as mãos uma na outra, já que foi de rabinho e não tem mecha de cabelo para enrolar/alisar (eu avisei que era fundamental o cabelo solto, você não quis ouvir). Pense em algo, sei lá o quê, que a afaste dali por alguns segundos. Cante mentalmente uma música qualquer, da qual não se lembre bem da letra e tenha de se concentrar.
- pedir a uma amiga que coloque uma ratoeira dentro da sua bolsa, para evitar que você saque a carteira também é uma idéia boa, só não se esqueça de não falar um putaqueopariu na hora que ela prender seus dedos, no máximo um aah!!
- ou use a técnica dos alcóolicos anônimos e mentalize: só por um segundo e apenas por mais um segundo eu segurarei o impulso de sacar a carteira da bolsa (que você não conseguiu deixar no escritório e nem deixou a amiga colocar a ratoeira)e proferir as palavras fatais que farão com que todo o doutrinamento acima caia por terra:

VAMOS DIVIDIR A CONTA?

beijo e boa sorte na sua empreitada!

Teste de aptidão para o curso de Penélope

Recebi milhares de telefonemas, centenas de emails e inúmeras mensagens, todos com a mesma dúvida:

COMO SABER SE EU PRECISO FAZER O CURSO "COMO SER PENÉLOPE EM 7 RÁPIDAS LIÇÕES"?

É simples, muito simples, basta que você se observe e veja se se identifica com as situações abaixo:

- a já citada no post sobre o curso, sobre pegar o carro na chuva. Se você se identificou com esta, nem precisa continuar a ler este post, vá direto para o do curso e leia-o e releia-o ao menos 15 vezes por dia, para começar;

- você vai a um restaurante chiiiiiique, daqueles que o garçom guarda seu casaco, porque é inverno, você foi com casaco pesado, lá tem aquecimento, claro! e na hora de ir embora, o garçom segura seu casaco para você colocar os bracinhos e você fica lá, tentando arrancá-lo das mãos dele para vestir sozinha;

- quando ele sugere o vinho, aquele do post anterior, você pede para dar uma olhadinha na carta de vinhos, com a intenção secreta de ver quanto custa o mimo, já que não passa pela sua cabeça não dividir a conta;

- você dá uma olhadinha bem rápida na coluna da direita do cardápio, porque, afinal, vai dividir a conta;

- você vai ao encontro do moço em seu próprio carro, sem nem dar chance a ele de se oferecer para te buscar;

- você não dá tempo do moço abrir a porta do carro para você descer dele. Aliás, o único que consegue ser mais rápido e abrir a porta do seu carro antes de você é o manobrista que recebe o carro na porta do restaurante, assim mesmo porque ele é treinado para isso. E você desce de lá tendo de administrar bolsa, celular, papelzinho do estacionamento, tudo ao mesmo tempo enquanto segura a porta do carro com o pé, pq nessas horas a trava que a mantém aberta insiste em não funcionar direito;

- você não consegue, em nenhuma circunstância, nem naquelas em que o problema seria resolvido em dois minutos, fazer cara de bobinha/ingênua/não entendi nada/pode me ajudar, por favor?/frágil/desamparada, muito menos dar duas batidinhas de cílios porque teme que alguém a ache uma tonta, mesmo que esse alguém seja o garçom do restaurante ou o manobrista;

- VOCÊ SEMPRE SE OFERECE PARA DIVIDIR A CONTA NO PRIMEIRO ENCONTRO.

Domingo, Fevereiro 12, 2012

The greatest fear of all

Essa semana, uma das aulas que eu tive foi sobre comportamento, consciente, inconsciente etc e como isso poderia ser aplicado na formaçao da sua equipe de trabalho, no trato com clientes e fornecedores e até com sua própria equipe, visando melhores resultados.

É um dos assuntos mais apaixonantes, não? Porque inconsciente é algo que todos temos e todos de alguma maneira tememos, pois lá estão as coisas com as quais não lidamos, ou lidamos mal, ou não suportamos. Enfim, um lago profundo.

E aí ontem morreu a Whitney Houston, cujas músicas foram trilha sonora da minha vida, e o impacto da morte dela - eu fiquei realmente chocada e impactada - fez surgir do meu inconsciente uma história que eu achava que nem me lembrava mais. Com uma riqueza de detalhes tão impressionante que hoje eu sei que sufoquei essa história porque ela ameaçava meu mundo seguro e conhecido.

Tinha eu 18 anos, trabalhava na Petrobrás e estudava na UnB. Como passava o dia no trabalho, fazia matérias à noite - a UnB tem um interessante sistema de créditos, você mesmo compõe o seu horário dentro de critérios préestabelecidos, com matérias obrigatórias e uma carga x de matérias optativas, que você escolhe o que fazer.

Com isso, eu fazia matérias optativas no Direito e na Economia. O Direito era em um prédio separado do prédio principal da faculdade, meio isolado, dava até um certo medo.

Na minha sala das matérias de Direito, havia o Ricardo. Ficamos muito amigos, conversávamos muito, ele devia ter uns 3 ou 4 anos a mais que eu, e por coincidência morava no bloco atrás do meu na 304 Sul. Muitas vezes eu voltava de carona com ele pra casa, eu era noiva do que viria a ser meu marido, que morava no Rio de Janeiro, ele era noivo de uma menina que morava em Niterói

Ricardo era um gentleman, abria a porta do chevette azul-celeste metálico - o equivalente a um i30 talvez, na época - para eu entrar, descia e abria de novo para eu sair. Inteligente, bom papo, cheio de planos para o futuro. E devo dizer que não era nem um pouco bonito, apesar de bastante charmoso.

Assim seguia a vida, colegas de classe que moravam na mesma quadra, até que uma noite ele me deu carona para casa, como já tinha feito tantas vezes, e o assunto era nossos respectivos noivos, que moravam longe, coincidentemente no mesmo Estado. Parou no estacionamento entre nossos dois blocos, para que eu descesse, olhou pra mim sério e falou:

- a gente bem que podia trocar né?

E eu respondi:

- é mesmo. Sua noiva podia vir morar aqui e eu ia morar em Niterói.

Ele, ainda sério, sem dar uma risadinha sequer:

- não. Você termina com seu noivo e fica comigo, e ela fica com o seu noivo.

Eu simplesmente não sabia o que responder, fazer, agir. Ele lançou a proposta da forma mais direta possível, sem rodeios, e ficou esperando o que eu ia dizer. Sem risinho, sem fazer um único movimento na minha direção. Eu nem sei o que respondi, mas saí do carro quase voando, com o coração batendo a mil. Encontrei-o na aula no dia seguinte e ele não me cobrou a resposta. Eu já sabia que ele ia para o RJ no fim de semana encontrar a noiva, e ele voltou de lá sem a aliança, tinha terminado o noivado. Disse que não tinha mais vontade de se casar com ela e que ela tinha de saber.

Era para valer a proposta, ele reforçou. Eu comecei a evitar as caronas, ficava enrolando do lado de fora da sala de aula até a aula quase começar para não dar tempo de conversarmos. Só não passei a sentar lá do outro lado da sala porque não havia lugar disponível, as pessoas já sentavam meio que nos mesmos locais. Tentei inclusive cupidar minha cunhada para namorar com ele.

Pânico geral.

Como terminou essa história? Meu então noivo acabou sabendo sobre as caronas e quase teve um troço. O semestre acabou, eu saí da Petrobrás e voltei a estudar de dia. Nunca mais vi o Ricardo, e ele, mesmo morando no bloco atrás do meu e sabendo onde eu morava, não avançou um único passo, a menos que eu dissesse sim.

O que a Whtiney Houston tem a ver com tudo isso? Tocava Whitney Houston no rádio do carro quando ele me fez a proposta. Quando o meu mundo seguro foi ameaçado. E hoje, lembrando de tudo isso de uma vez, eu me lembro de um ponto importantíssimo: eu fugi, eu me esquivei, eu tremi na base, mas eu nunca, em momento algum, respondi simplesmente não.

Só porque é linda

La Barca
(Luis Miguel)

Dicen que la distancia es el olvido,
Pero yo no concibo esta razón,
Porque yo seguiré siendo el cautivo
De los caprichos de tu corazón.

Supiste esclarecer mis pensamientos;
Me diste la verdad que yo soñé;
Ahuyentaste de mí los sufrimientos
En la primera noche que te amé.

Hoy mi playa se viste de amargura,
Porque tu barca tiene que partir
A cruzar otros mares de locura
(Cuida que no naufrague en tu vivir).

Cuando la luz del sol se esté apagando
Y te sientas cansada de vagar,
Piensa que yo por ti estaré esperando
Hasta que tú decidas regresar.

Supiste esclarecer mis pensamientos;
Me diste la verdad que yo soñé;
Ahuyentaste de mí los sufrimientos
En la primera noche que te amé.

Hoy mi playa se viste de amargura,
Porque tu barca tiene que partir
A cruzar otros mares de locura
(Cuida que no naufrague en tu vivir).

Cuando la luz del sol se esté apagando
Y te sientas cansada de vagar,
Piensa que yo por ti estaré esperando
Hasta que tú decidas regresar.

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

E olha que na época dele nem existia Facebook...

Poema em linha reta
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Enquanto isso, na lojinha dos uniformes escolares 2...

... mãe vai comprar os uniformes da prole:
- olha você TEM que me dar um desconto porque eu tenho 3 filhos, tô comprando uniformes para 3!

Respostas possíveis:
- a óbvia: teve 3 porque quis, já que não são trigêmeos;
ou
- quando você vai ao supermercado comprar arroz e feijão, você diz pra caixa que ela TEM que te dar um desconto porque você tem 3 filhos e tá comprando comida para 3?

Domingo, Janeiro 29, 2012

Enquanto isso, na lojinha dos uniformes escolares...

... mãe constata que a bermuda tamanho 6 é a adequada para o filho, para, olha para mim e manda:

E se ele crescer até o final do ano, não vai servir mais, o que eu faço então?

Respostas possíveis:
- compra outra do tamanho que ele estiver na ocasião;
- usa como pano de chão, porque você está comprando uma única peça para o garoto usar todo dia e se arrastar no chão da escola. Se ainda servir no tamanho, no fim do ano não servirá mais porque o tecido já terá puído;
- comemora, porque significa que seu filho é um menino normal, o esperado é que ele cresça e perca roupas e sapatos;
- abate a tiros agora, embalsama, e assim ele ficará do mesmo tamanho para sempre.

Aceito outras sugestões.